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Sombras sexuais: assédio sexual na empresa

Connie Zweig and Steve Wolf
Romancing the Shadow
New York, The Ballantine Publishing Group, 1997
Excertos adaptados

Sombras sexuais: assédio sexual na empresa
e relações sexuais na terapia

Uma das formas mais frequentes que a sombra do poder assume traduz-se nos avanços sexuais indesejados – comentários sexistas, tácticas de intimidação, ou contacto físico inapropriado. Nas muitas mulheres que sofrem a degradação de se sentirem vistas como objectos ou usadas sexualmente, há velhas feridas que se reacendem. Processar alguém legalmente tornou-se um rito de passagem psicológico, uma forma de não pactuar com o abuso e de reclamar o direito a ser ouvido. Em consequência disto, as indemnizações por assédio sexual no local de trabalho atingiram preços astronómicos e as companhias perdem milhões anualmente em resultado do absentismo elevado e da fraca produtividade da sua mão-de-obra feminina.

Os executivos sentem relutância em promover mulheres qualificadas ou mesmo em estarem com elas em jantares ou viagens de negócios. Dado que há queixas fraudulentas, muitos homens sentem-se inclinados a fazer das mulheres bodes expiatórios e rotulam-nas a todas de caçadoras de fortunas. O resultado é uma perda das contribuições que ambos os sexos podem fazer para o sucesso da empresa e do espírito de companheirismo que se poderia gerar nessas permutas. Em zonas da América empresarial onde o assédio não tem lugar, os homens evitam qualquer contacto amigável com as mulheres, o que faz com que reprimam comportamentos naturais num ambiente de camaradagem entre ambos os sexos.

Fora das empresas, em profissões onde o contacto entre as pessoas é mais íntimo, a sombra sexual prevalece. Nas últimas duas décadas, foi revelado um sem-número de casos de abuso sexual perpetrado por terapeutas, médicos, professores e clérigos, pessoas que traíram a confiança das mulheres que procuravam junto deles ajuda para os seus problemas.

O analista junguiano Peter Rutter estima que mais de um milhão de homens e mulheres tiveram contactos abusivos, ou seja, relações sexuais num contexto onde tal devia ser internamente proibido. O contacto com o lado ferido da alma da mulher interdita um homem de se aproveitar dessa fragilidade. O poder dele e a dependência dela levam-na a não se negar ao contacto, recriando situações traumáticas do passado, que assim ficam sem poder ser curadas.

Recentemente, um colega contou-nos que em 1985 fazia parte de um grupo que supervisionava outros psiquiatras e psicoterapeutas. Quando lhes descreveu que começava a sentir-se demasiado atraído por uma paciente, os colegas contaram-lhe algo que o chocou profundamente: todos os homens e duas das mulheres presentes tinham tido relações sexuais com os doentes. Em vez de o encorajarem a enfrentar a sombra que começava a emergir no contexto daquela relação, aconselharam-no a deixar de ser médico dela e a iniciar uma relação amorosa com a doente.

Não é de esperar que um jovem terapeuta ouça este tipo de conselho hoje. Qualquer pessoa do ramo reconhece que não é aconselhável qualquer tipo de relação com um doente, seja ela de natureza sexual, financeira, ou social, já que isso poria em perigo a relação terapêutica. No entanto, apesar de todas as consequências legais e éticas, e de toda a consciência do impacto emocional negativo que isso pode ter, muitos terapeutas ou padres não conseguem conter os seus desejos sexuais. Existe algo que os faz arriscar tudo para gratificarem a sua sombra sexual, sem pensarem que poderiam honrar as suas necessidades se fizessem trabalho sobre elas.

O sacrifício de Eros no local de trabalho faz-nos sentir mais reprimidos ou mais rebeldes? De que formas sacrificamos a nossa autenticidade para evitar ter de lidar com questões sexuais no emprego? Se deu voz à sua sombra sexual, de que forma pode remediar os danos que isso causou, a si e aos outros?

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